Ao longo dos últimos tempos, os investigadores clínicos e do desenvolvimento revelaram existirem associações entre os pensamentos que um individuo tem de si mesmo e uma série de estados emocionais, comportamentos ou mesmo perturbações psicológicas. Intui-se e enquadra-se também neste âmbito a definição de autoestima, pela implicação do valor que uma pessoa atribui aos diversos elementos do conceito que ela tem de si mesma, isto é, a componente avaliativa ou afetiva do auto conceito. Assim, a autoestima, indica de forma direta como se a pessoa se sente em relação à perceção de si própria, reflete o nível de auto satisfação ou aceitação e relaciona-se com algumas imagens específicas que o sujeito identificará como desejáveis ou não desejáveis, com base na sua experiência, considerando-a como positiva ou negativa, aprovando-a ou rejeitando-a.

Então, qual é o significado de alta ou baixa autoestima?

Considera-se que ter uma alta autoestima, é ter uma visão saudável de si mesmo, é alguém que aceita de modo realista os seus defeitos sem adoptar uma postura excessivamente crítica, e, como tal avalia-se de forma positiva e está satisfeito com as suas atitudes. Note-se ainda, que sentir-se satisfeito de si mesmo, não quer dizer que não se deseje ser diferente em alguns aspetos, pelo contrário, uma pessoa com autoconfiança deseja melhorar as suas áreas insatisfatórias, incluindo quando se sente bem consigo mesmo ao conseguir determinados objetivos.

Ao invés, uma pessoa com baixa autoestima, apresenta-se pouco a pouco numa atitude positiva fictícia, numa intenção desesperada de apresentar aos outros – e a ela mesma – que é uma pessoa adequada, mas no fundo evidenciará o retraimento, o medo de se relacionar socialmente, teme a rejeição, apresenta insegurança e sente desconforto ou incapacidade para resolver os seus próprios problemas e tomar decisões concertadas.

Mas então como é que se constrói a autoestima e se pode avaliar por exemplo nos jovens?

Para esta pergunta não podemos deixar de pensar sadiamente no significado de autoconceito real e ideal, de personalidade e de família, isto é, a autoestima como estrutura integrante da personalidade, é também um reflexo do modelo social, do meio ambiente, da realidade adquirida nas etapas sucessivas da vida, nas experiências precoces do individuo, e, do impacto profundo (positivo) que o meio familiar deve produzir, construindo assim a confiança e o amor próprio.

Para se avaliar a autoestima com o público juvenil, deve-se abordar essencialmente cinco áreas designadamente a social, a académica, a familiar, a imagem corporal e autoestima global.

A área social, engloba os sentimentos da própria pessoa no relacionamento com os pares, se configura simpatia, se demonstra as suas ideias, se inclui em atividades, se adopta uma posição gratificante nas suas interações e alcança satisfatoriamente as necessidades sociais.

Na área académica, trata-se da avaliação no desempenho como estudante e não é simplesmente uma valoração da atitude e do êxito académico, pois todos os alunos poderão até ser destacados, mas sim, a decisão que cada um toma ao ajuizar se é suficientemente bom e se vai ao encontro dos modelos e expectativas implícitas na família, amigos e professores.

A autoestima familiar, reflete os próprios sentimentos como membro da família nuclear, se efetivamente se sente estimado, se sente seguro da afetividade e respeito que recebe dos pais/educadores e irmãos.

A imagem corporal, diz respeito à combinação do aspecto e das capacidades físicas, baseia-se na satisfação de como é e representa o seu corpo e geralmente do ponto de vista cultural e social, as raparigas têm vindo a expressar as suas maiores preocupações pela aparência física e os rapazes uma maior concentração nas habilidades atléticas.

Por último a auto estima global, constitui a avaliação própria de todas áreas, e resume-se na reflexão do resultado da discrepância entre a perceção própria (a visão objetiva) e o ideal de si mesmo (aquele que a pessoa valoriza e gostaria de ser), que na prática, uma grande discrepância produz uma baixa autoestima. Resta-me de momento apenas salientar, que felizmente a ciência designadamente a Psicologia Clínica se encarregou de estudar e experimentar intervenções potencialmente válidas, que constituem verdadeiras doses terapêuticas na melhoria deste processo.   

 

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December 20, 2015

November 22, 2015

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PSICOLOGIA CLÍNICA - DESENVOLVIMENTO HUMANO-  FORMAÇÃO COMPORTAMENTAL